Coisa de caráter

Caráter (latim character, -eris, sinal, marca) s. m.
1. O que faz com que os entes se distingam entre os outros da sua espécie. 2. Marca, cunho, impressão. 3. Propriedade. 4. Qualidade distintiva. 5. Índole, gênio.

* Não se trata de dizer sobre bem ou mau. Bom ou mal, talvez. - É caráter (simplesmente o que distingue) , e talvez um pouco de ética - Mas a sua ética, a minha ética, a ética baseada no caráter. E nós, nós somos diferentes, e temos caráteres diferentes. Importante? Importante é ter caráter, saber que tem, ser consciente nisso.

Aqui também, o caráter com relação à Essência.

Essência.
1. O que constitui o ser e a natureza das coisas. 2. Qualidade predominante. 3. O que há de mais puro e sutil. 4. Caráter distintivo (da natureza). 5. Ideia principal.

* Mais uma vez, não se trata de dizer sobre bem ou mau. Bom ou mal, talvez. - É essência (simplesmente o que é de natureza).
E nós, nós somos diferentes, Essencialmente diferentes. Importante? Importante é saber disso, ser consciente disso.

** A definição das palavras "Caráter" e "Essência" é essa, tal como está. As demais definições que foram ocultas não se encaixam no modelo da ideia e por essa razão foram retiradas.
As definições que importam são as definições acima, e apenas essas.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O dinheiro traz felicidade?

Engana-se quem responde que sim, e se engana na mesma razão quem responde que não. Qualquer um que responda a essa pergunta em sua forma simples, está errado.
Uma caneta não pode te deixar feliz, mas poder usá-la para escrever pode te deixar bem animado – E há uma diferença fundamental nisso que não é notada -, e não tê-la em certas ocasiões pode ser um infortúnio muito grande. Então: Uma caneta traz felicidade?
O dinheiro é tão importante para nós, para nos proporcionar situações, ocasiões, coisas, sensações e etc, quanto uma pessoa pode ser para nos proporcionar sentimentos.
A pergunta mal formulada é a ruína de tudo, é base de toda a incoerência, e só tende a nos trazer respostas obscuras, turvas, confusas, incongruentes como a pergunta.
É, de certo, que o dinheiro pode trazer felicidade, tanto quanto pode não trazê-la - O caso é o que você faz com a caneta quando a tem, como, e em quê, gasta sua tinta.
Mudando a pergunta: O dinheiro é o mais importante?
Não posso responder isto por você, mas... Se você responde que o dinheiro traz felicidade, as pessoas tentem a achar que você pensa que uma caneta é a coisa mais importante que existe no mundo. Entende? E você também pode ligar uma coisa na outra e, inconscientemente, tratar dessa forma, como se o dinheiro fosse o mais importante por poder trazer as coisas mais importantes até você.
- Tá. Então o dinheiro não é importante? – Ou – É importante?
– Você está maluco! Me dá todo seu dinheiro e vai ser feliz. – Ou – Tá bom, tanta gente ai com dinheiro, e infeliz.
Quando as coisas, as situações, as ocasiões, as sensações, e tudo o que o dinheiro pode dar são mais importantes que ele, então nós não temos uma gana, e naturalmente o gastamos na mesma razão em que nos poupamos de gastar, e deixamos de buscá-lo quando já temos o que queríamos (o importante), e o trocamos facilmente pelas coisas que ele proporciona (não necessariamente o desvalorizando de seu papel e sua importância em si, mas, mesmo sem notar, deixando de dar importância a ele se comparar com a importância que ele têm para outros). Fundamentalmente, quando o dinheiro não é mais importante que as coisas que ele proporciona, nós buscamos o suficiente, apenas o suficiente para o que desejamos, e não por ele, não para tê-lo, mas às coisas.
Quando o dinheiro é a felicidade e, quando essa ideia existe dentro de si, enganosamente se torna mais importante que as coisas que ele pode proporcionar (mesmo sem que você perceba), tê-lo é o bastante na mesma razão em que não basta apenas tê-lo e sempre é preciso ter mais dele. Essa cadeia de importância (muitas vezes inconsciente) nos faz trocar facilmente o que ele pode proporcionar (que menos importante que ele próprio) - como as ocasiões, as sensação, as coisas - por um pouco mais dele, ou a possibilidade de um pouco mais dele. Como trocar ocasiões em família, amigos, deixando de comprar algo necessário, visar um relacionamento lucrativo financeiramente, e etc).  
Em outro campo comparativo, tão inconsciente quanto, é como uma pessoa: Quando ela é importante, as sensações que ela proporciona, e os sentimentos que ela deserta em si, ficam ofuscados pela gana de tê-la. Então, por vezes, nós nos enganamos, nós mentimos para nós mesmos, e nos achamos felizes por tê-la ali, por estarmos com ela e, a todo custo, tentamos mantê-la. Não importa o quão bom, o bom, o ruim, o muito ruim, o morno que seja essa relação com ela, quando o importante é tê-la, ficamos aprisionados à ideia de tê-la ali, de não deixá-la, porque tê-la ali é o que traz felicidade, e não tê-la é igual a ser infeliz – Quando não passa de um “pode trazer felicidade”, uma possibilidade, e não se é necessariamente infeliz sem ela.
Quando o sentimento e as sensações que uma pessoa pode proporcionar são as coisas mais importantes, nós as buscamos apenas o suficiente para consegui-los, nada mais. E podemos facilmente descartar as pessoas quando elas não são satisfatórias, ou deixar de buscá-las mais, ou a outras, quando estamos satisfeitos.
Uma pergunta mal formulada é necessariamente injusta para com seu receptor – Porque eu vos pergunto de novo:
- O dinheiro traz felicidade?

- Não. Mas pode trazer.
E toda vez que for fazer essa pergunta, ou respondê-la, cuidado. Essa pergunta não é o que aparenta ser, então sua resposta também não será.

- Coisa de Caráter, Alexandre Vieira.

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