Coisa de caráter

Caráter (latim character, -eris, sinal, marca) s. m.
1. O que faz com que os entes se distingam entre os outros da sua espécie. 2. Marca, cunho, impressão. 3. Propriedade. 4. Qualidade distintiva. 5. Índole, gênio.

* Não se trata de dizer sobre bem ou mau. Bom ou mal, talvez. - É caráter (simplesmente o que distingue) , e talvez um pouco de ética - Mas a sua ética, a minha ética, a ética baseada no caráter. E nós, nós somos diferentes, e temos caráteres diferentes. Importante? Importante é ter caráter, saber que tem, ser consciente nisso.

Aqui também, o caráter com relação à Essência.

Essência.
1. O que constitui o ser e a natureza das coisas. 2. Qualidade predominante. 3. O que há de mais puro e sutil. 4. Caráter distintivo (da natureza). 5. Ideia principal.

* Mais uma vez, não se trata de dizer sobre bem ou mau. Bom ou mal, talvez. - É essência (simplesmente o que é de natureza).
E nós, nós somos diferentes, Essencialmente diferentes. Importante? Importante é saber disso, ser consciente disso.

** A definição das palavras "Caráter" e "Essência" é essa, tal como está. As demais definições que foram ocultas não se encaixam no modelo da ideia e por essa razão foram retiradas.
As definições que importam são as definições acima, e apenas essas.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Um Professor feliz


Ele entrou na sala, sorrindo, ainda comendo o café da manhã: Duas rosquinhas.
Descobriu, então, que aquele garoto não fez o dever. Disse: “Faça, e traga amanhã; E também quero duas coisas a mais: Quero que sua mãe faça uma redação de vinte linhas sobre a importância do estudo e do ambiente escolar na vida de uma criança” – Depois comeu o último pedaço da rosquinha e lambeu os dedos. “E, segundo, durante uma semana ela vai ter que rubricar o seu dever e falar o que ela quiser sobre ele”.

No dia seguinte ele entrou na sala com três rosquinhas e um copo de suco.
- Onde está aquele garoto?
- Não veio, professor.
- Melhor assim. – Então, ele encheu o quadro de dever.

No terceiro dia a mãe do garoto veio à escola para ver o porquê devia ficar de castigo por seu filho, ou junto com ele. Estava o esperando com os braços cruzados batendo o pé em frente à porta da sala e todos nós estávamos esperando para ver o que ia acontecer – Estava na hora de alguém dar uma lição naquele professor chato.
Ele puxou um livreto pequeno, e disse: “A responsabilidade é tua, ou, então, entregue para adoção”, olhou para o garoto e perguntou “Você quer ir para a adoção?”, o menino disse “não”. “Se sua mãe não for capaz de cuidar de você, é isso que vai acontecer”, ele completou para o garoto, e disse a mãe: “Enquanto você não trouxer, ele não pode assistir aula. Se ele faltar demais vou ter que acionar o conselho tutelar”.

No quarto dia eles sabiam que ela viria, mas veio tio, pai, tia, avó e avô. E a diretora estava esperando com os braços cruzados, batendo o pé, e, então, falou: “Podem parar, vocês não vão incomodar o professor. O que ele disse, é mesmo o que ele falou. Podem se retirar, todos, a não ser que estejam com a redação”.



Alexandre Vieira

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dia de vencer

"Papodebêbadocomviciado"

"Amanheceu mais uma vez, é hora de acordar para vencer"...
- Vencer o quê, Jaom? Vencer quem? Tá maluco? Deixa eu dormir.
"Vamos meu camarada, acorda. Hora de levantar pra batalha. A vida não espera".
- Que batalha, Jaom? Tá doido, tá achando que tá na guerra? É samurai agora? Me deixa dormir. É claro que a vida espera. Quem não espera é o tempo. Cê tá se confundindo.
"Tô nada. É a vida, meu irmão! A vida é uma batalha; o mundo lá fora. Enquanto você dorme as pessoas estão correndo, estão saindo na sua frente".
- Cê tá fumando demais. Quem é que precisa chegar na frente, Jaom? Quem é que quer isso? E perder a paisagem? Eu só quero chegar, e se não chegar... aqui estou eu.
"Você que tá parecendo brisado, mano. Levanta ai e... Vambora matar uns leão"
- E quem é o leão, Jaom?
"Sei lá, mano. Qualquer coisa que te afaste do seu objetivo, qualquer coisa que te atrapalhe vencer na vida, os outros... Sei lá, pode ser qualquer coisa".
- O problema é esse. Ninguém sabe quem é o leão. Quando você souber responder, vem me acordar, aí eu levanto. Eu conhecia a expressão "Amigo imaginário", mas "inimigo imaginário" eu conhecia não. Procura um médico, véio. Vai se tratar.
"Vai levantar mesmo não, né? Tá bom".
...
"Amanheceu mais uma vez, é hora de acordar para vencer"...
- Vencer o quê, Jaom? Vencer quem?
"Ah, hoje vai levantar, né?"
- Éé.. Mas não pra vencer. Só pra ajudar alguém.
"Ajudar quem? No quê?"
- Sei lá, mano. Qualquer coisa que te afaste do seu objetivo, qualquer coisa que te atrapalhe vencer na vida, os outros... Sei lá, pode ser qualquer coisa. Eu vou ajudar qualquer uma a chegar... Apenas chegar.
"Ixi... Já acorda brisado agora?"
- Né não, Jaom. Quando tu sai pra bater no mundo, o mundo bate em você. E te falar a real, é desigual. Cê da um tapa, leva cem. Tu fecha a cara (que é só uma, e é só a sua), tu recebe de volta varias porta fechada, tá ligado? Várias cara se fechando pra você. Vale a pena não.
"Qual foi, mané? Tá falando o quê? Qué dize o que con isso? Sou um cara maneiro pá caralho. Mó respeito e consideração con todo mundo aí. Tô entendendo teu lance não. Que droga é essa ai?".
- Haha. É a droga da consciência. Bate forte quando vem na mente. E é essa parada de briga aí, cara. Isso leva ninguém a nada não. Achar que o mundo é uma guerra, campo de batalha, fingir que é competição. Sozinho tu guenta não; E se tu acha que só porque colou com aquela mina lá, não precisa de mais ninguém, cê tá ferrado. Seguir sua vida, focado em crescer, crescer, prosperar, vencer e os caráio só te leva a fechar o olho, passar passando, seguir seguindo, tudo batido.
"Tô entendendo a tua não, véio. É só maneira de falar, tu tá ligado, né? Tá viajando aí"
- Isso é o que tu pensa, Jaom, isso é o que tu pensa. Quem quer vencer não pode parar, tá ligado? Parar pra sorrir, parar pra chorar, parar pra ajudar, parar pra olhar, parar pra entender, parar pra sentir, parar pra pensar, pra dormir, relaxar. Quem quer vencer não pode parar, irmão. Porque se parar alguém chega antes de você, tá ligado. Você não entende, mas... tua mente já cansou de entender. É assim que é.
"Tô entendendo nada, véio".
- Foi o que eu acabei de dizer. Cê pode não perceber, mas toda vez que você sai pra brigar, enfrentar o mundo, o mundo enfrenta você, briga com você, Jaom. É como tacar pedra na água, irmão. Taca não. Se tu vai entrar na água, não taca. É uma pedra, duas, três, e antes de você perceber já tem onda batendo em você.
"Véio...Tú tá doidão".
- Então, tá bom.
...
"Tá. Acaba esse pão aí e me diz: Vai ajudar quem hoje? No quê? Tu levantou pra quê hoje? Atravessar uma velhinha no sinal e se atrasar pro serviço?"
- Pra ajudar alguém.
"Tá bom; Mas quem? Como?"
- Todo mundo. Só esperar a oportunidade aparecer.
"Que oportunidade, véio? Esperar um cego atravessar a rua? Vai dá teu dinheiro pros mendigos tudo? Distribuir? Dividir com os pobres?"
- To falando de sorrir pra uma cara fechada, manter aquele garoto lá, do vinte e um, na escola, tá ligado? Dá um bom dia animado, desejando mesmo; Dizer obrigado; Dá a vez. Ajudar se alguém tiver carregando alguma coisa pesada. Essas paradas. Ferrar ninguém, deixar de malandragem. 
"Tá bom, você é o bom samaritano agora, mas.. Como é que vai manter o do vinte e um na escola?"
- Só vou perguntar como é que estão as nota dele lá. Eu sei que o maluco se esforça, mas ninguém dá bola. Ele só precisa de alguém que se importa. Agora, quem vai manter ele na escola? ... É ele mesmo.
"E tu espera o quê, que o mundo vai virar flores por causa disso? Vão te elogiar e fazer um livro pra você? Que todo mundo vai te seguir, que tu vai ser exemplo? Ninguém vai olhar pra isso não velho, e esse é o problema, o mundo não vai mudar por causa disso; Todo mundo é egoísta nessa porra. Vão receber e vão dar nada pra você, véio. Quando tu se cansar, me avisa".
- O mundo não é egoísta, não, Jaom. Você que é. Sabe o significado de egoísmo? Você pode não perceber, mas o problema do qual você fala ali, tipo, "E esse é o problema", é o tempo. Tipo "demora muito tempo para as coisas mudarem, para alguém ver, notar, perceber, e os caráio” – e nem é tanto tempo assim; Você é quem não pode esperar pra ver. E isso não é problema pra quem quer chegar, é problema pra você que quer vencer. Quem quer vencer que não pode parar. Quem só quer chegar tem todo tempo do mundo pra viver, ver, ouvir e aprender. Pode demorar, eu ligo não.   


Alexandre Vieira

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O dinheiro traz felicidade?

Engana-se quem responde que sim, e se engana na mesma razão quem responde que não. Qualquer um que responda a essa pergunta em sua forma simples, está errado.
Uma caneta não pode te deixar feliz, mas poder usá-la para escrever pode te deixar bem animado – E há uma diferença fundamental nisso que não é notada -, e não tê-la em certas ocasiões pode ser um infortúnio muito grande. Então: Uma caneta traz felicidade?
O dinheiro é tão importante para nós, para nos proporcionar situações, ocasiões, coisas, sensações e etc, quanto uma pessoa pode ser para nos proporcionar sentimentos.
A pergunta mal formulada é a ruína de tudo, é base de toda a incoerência, e só tende a nos trazer respostas obscuras, turvas, confusas, incongruentes como a pergunta.
É, de certo, que o dinheiro pode trazer felicidade, tanto quanto pode não trazê-la - O caso é o que você faz com a caneta quando a tem, como, e em quê, gasta sua tinta.
Mudando a pergunta: O dinheiro é o mais importante?
Não posso responder isto por você, mas... Se você responde que o dinheiro traz felicidade, as pessoas tentem a achar que você pensa que uma caneta é a coisa mais importante que existe no mundo. Entende? E você também pode ligar uma coisa na outra e, inconscientemente, tratar dessa forma, como se o dinheiro fosse o mais importante por poder trazer as coisas mais importantes até você.
- Tá. Então o dinheiro não é importante? – Ou – É importante?
– Você está maluco! Me dá todo seu dinheiro e vai ser feliz. – Ou – Tá bom, tanta gente ai com dinheiro, e infeliz.
Quando as coisas, as situações, as ocasiões, as sensações, e tudo o que o dinheiro pode dar são mais importantes que ele, então nós não temos uma gana, e naturalmente o gastamos na mesma razão em que nos poupamos de gastar, e deixamos de buscá-lo quando já temos o que queríamos (o importante), e o trocamos facilmente pelas coisas que ele proporciona (não necessariamente o desvalorizando de seu papel e sua importância em si, mas, mesmo sem notar, deixando de dar importância a ele se comparar com a importância que ele têm para outros). Fundamentalmente, quando o dinheiro não é mais importante que as coisas que ele proporciona, nós buscamos o suficiente, apenas o suficiente para o que desejamos, e não por ele, não para tê-lo, mas às coisas.
Quando o dinheiro é a felicidade e, quando essa ideia existe dentro de si, enganosamente se torna mais importante que as coisas que ele pode proporcionar (mesmo sem que você perceba), tê-lo é o bastante na mesma razão em que não basta apenas tê-lo e sempre é preciso ter mais dele. Essa cadeia de importância (muitas vezes inconsciente) nos faz trocar facilmente o que ele pode proporcionar (que menos importante que ele próprio) - como as ocasiões, as sensação, as coisas - por um pouco mais dele, ou a possibilidade de um pouco mais dele. Como trocar ocasiões em família, amigos, deixando de comprar algo necessário, visar um relacionamento lucrativo financeiramente, e etc).  
Em outro campo comparativo, tão inconsciente quanto, é como uma pessoa: Quando ela é importante, as sensações que ela proporciona, e os sentimentos que ela deserta em si, ficam ofuscados pela gana de tê-la. Então, por vezes, nós nos enganamos, nós mentimos para nós mesmos, e nos achamos felizes por tê-la ali, por estarmos com ela e, a todo custo, tentamos mantê-la. Não importa o quão bom, o bom, o ruim, o muito ruim, o morno que seja essa relação com ela, quando o importante é tê-la, ficamos aprisionados à ideia de tê-la ali, de não deixá-la, porque tê-la ali é o que traz felicidade, e não tê-la é igual a ser infeliz – Quando não passa de um “pode trazer felicidade”, uma possibilidade, e não se é necessariamente infeliz sem ela.
Quando o sentimento e as sensações que uma pessoa pode proporcionar são as coisas mais importantes, nós as buscamos apenas o suficiente para consegui-los, nada mais. E podemos facilmente descartar as pessoas quando elas não são satisfatórias, ou deixar de buscá-las mais, ou a outras, quando estamos satisfeitos.
Uma pergunta mal formulada é necessariamente injusta para com seu receptor – Porque eu vos pergunto de novo:
- O dinheiro traz felicidade?

- Não. Mas pode trazer.
E toda vez que for fazer essa pergunta, ou respondê-la, cuidado. Essa pergunta não é o que aparenta ser, então sua resposta também não será.

- Coisa de Caráter, Alexandre Vieira.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Beleza ou dinheiro?


“Coincidentemente, era essa a pergunta que estava mais em evidência na mídia àquela semana; Nas redes sociais e nos programas de humor torpes.
Eram as mesmas coisas que eu via nos bares e, sem perceber, comparava igualmente.

Notei depois que faltava algo:
Personalidade, educação, escrúpulo, senso, inteligência... – essas coisas sequer eram lembradas. Não existiam na balança.
Um bonito pobre ou um feio rico? – A comparação era essa, e apenas essa.

O fato da “pesquisa” ser feita e colocar as mulheres nessa frente como interesseiras ‘comprovadamente’, é só um detalhe cultural da nossa sociedade que nos acostumou a olhar para o sexo como um divisor que não é. – Masculino e feminino: culturalmente nos portamos de maneira diferente frente à sociedade, mas queremos igual, desejamos igual, escolhemos igual e somos muito mais idênticos do que fomos ensinados que somos – Somos humanos.
A pesquisa serve para homens da mesma forma. A mesma troca será feita, a mesma decisão será tomada. Mas o ponto que batia na minha cabeça, contudo, é que tudo o que pesava na balança estava diante dos olhos: Era material e físico. – Beleza e riqueza... Potencial de status.

Lembrei do dia que aquele cara me parou na rua. Queria saber se eu não queria um dinheiro extra, fácil. – Tipo, cem, duzentos reais – antes ele veio com toda aquela conversa estranha, perguntando muitas coisas e falando muitas coisas também. Ostentando bens.
Pois bem, não era a primeira vez que isso acontecia, ele queria saber se eu não teria relações com ele em troca daquele dinheiro (e muito mais que ele poderia me oferecer por fora).
 - 200,00 para uma rapidinha, com a noitada paga, é um sacrifício valido? Você ainda pode ganhar alguns presentes, e toda vez que eu te chamar, é mais 200,00. Você pode até gostar. Parece um bom negocio? Não é nada de mais. – De repente ele foi bem direto.
Foi fácil eu me decidir. Mas se eu fosse gay... Ou, melhor ainda, se fosse uma mulher... Parece um bom negocio? – Eu pensava.
Agora, substitua o dinheiro da mulher por beleza. Parece um bom negocio? – Aquele pensamento me intrigava; Porque, naquela hora, me pareceu um bom negocio, sem qualquer maldade.

Então, agora, tente entender a frustração e o desolamento, o gosto amargo na boca e a dor de uma pessoa que descobre que quem ela ama, se “prostitui”. – Isso mesmo. Se vende.
Pois bem, é a mesma dor que subjetivamente sentimos, a mesma frustração e decepção que sentimos quando olhamos para o mundo e o mundo sente quando olha para nós; E sem entender conscientemente, nos perguntamos, por que o mundo é assim?
Não quero dizer, com tudo isso, que as pessoas não são livres para se vender, tão pouco quero dizer que sou melhor que outros e não me venda também. O ponto não é esse.
Toda gente é ‘livre’ para fazer o que quiser, mas você é realmente livre, sabe onde leva a estrada por onde tem andado, é consciente dos teus passos?
- Nós só somos livres de verdade para ser e fazer o que quisermos quando somos conscientes disso. - Mas somos tão influenciáveis por uma ideia de liberdade tão distorcida e sem conceito. – Pensei.
Preste a atenção – eu disse a mim mesmo em pensamento:
Não somos nós, as “pessoas decentes”, que olhamos a prostituição por dinheiro como algo promiscuo e repulsivo e, ao mesmo tempo, não somos nós, as pessoas decentes que vendem seus sentimentos e se prostituem por beleza; Status?
Quando olhar para a sociedade e se sentir enjoado, deprimido, pense se você não está realmente no bolo das maças podres, no universo das pessoas repulsivas que você julga sem caráter e integridade por se venderem.
 A chave de tudo, e dessa falsa liberdade, é que às vezes somos vitimas culposas de nós mesmo – nos matamos sem a intenção de matar, mas com imensa responsabilidade, e culpa. E a maioria da sociedade é assim, dando passos para o abismo enquanto ri de alguma piada que logo vai perder a graça quando avistar o precipício e o amargo tomar conta da boca.

A essência de algumas pessoas clama por justiça – Grita; E é essa sensação de repulsa que toma nossos olhos. – Então olhamos para a sociedade como se fosse toda podre e contaminada, como se as pessoas – que não somos nós – fossem as culpadas por todo esse desastre, sendo elas tão maleáveis e “promiscuas”, por não darem valor ao intelecto, aos sentimentos, a integridade, e etc – as qualidades intelectuais que nós temos, mas... Preste atenção, mais uma vez:

Nós somos produtos com qualidade como acessórios, que são oferecidos a outros produtos como nós, produzidos com acessórios para atender a demanda, a necessidade de outros indivíduos – E são eles nós mesmo.
Deixamos de desenvolver a inteligência, o senso, a opinião própria, a integridade, a moralidade... Deixamos de desenvolver o que não nos é exigido; Não há demanda, ou há pouca demanda, e desenvolvemos o que nos é exigido, como bens, beleza, aparente sucesso financeiro e etc.
Não vale culpar os órgãos e instituições por isso, não vale buscar culpados fora de nós ao dizer que a sociedade – QUE SOMOS NÓS – e os próprios órgãos e instituições (como escolas e igrejas) pregam, ideologicamente, prosperidade e sucesso como um acumulado de bens materiais, riquezas, e uma imagem bonita, bem vestida, bem pintada com adornos e toda sorte de ferro retorcido. Não vale culpar a sociedade, ou os pais desses seres estranhos que caminham entre nós que não aprenderam nada e não têm apreço pela verdadeira bem aventurança e prosperidade que é o desenvolvimento de um caráter incorruptível, de fibra, o desenvolvimento da sabedoria e do senso, da integridade intelectual e moral.
O que é ser bem sucedido, hoje, para a sociedade? – Eu me perguntei.
Ser bem sucedido é ter uma casa, um carro, um emprego, boas roupas e variedade das mesmas.
Ser sábio, inteligente, integro, uma pessoa de caráter, consciente, sem ter as coisas ditas anteriormente, é ser fracassado.
Ser bem sucedido na consciência do mundo é ter, não ser.
Seja lá o que você for, se o que você for não atender o que a demanda pede, então você é inútil – Obsoleto e fracassado. Por melhor ou pior que seja, o que determina se você será bem sucedido ou fracassado é o que você “é/tem” quanto o que a demanda exige.
Nós fazemos parte das instituições, dos órgãos, da sociedade, e estamos no cesto junto com todas as outras maças podres. Um grande passo “seria” não se deixar contaminar, mas você pode fazer isso quando não sabe diferenciar tão bem uma maça podre de uma maça boa? Quando tantas maças estragadas têm um aspecto tão natural. Ou quando, por vezes, somos nós mesmos, as maças estragadas, contaminando outras sem saber; Por uma ação, gesto ou comentário preconceituoso. Ou mesmo uma discriminação inconsciente das coisas que passamos adiante. 
Não vale buscar culpados porque nós somos essa sociedade de comportamento estranho que não lembra valor e moral (e alguns vão achar que sabem o que é moral, e pensarão nisso como ideias obsoletas do tempo da minha avó). Mas a questão de tudo é que, com tudo, nós somos livres – ou deveríamos ser – para sermos saudáveis ou estragados, como desejarmos e tivermos vontade.
Eu posso ser interesseiro e promiscuo se eu tiver vontade, e ninguém tem a ver com isso – É escolha minha, e está acabado. Eu posso ser o que eu quiser, “sou eu quem vai pagar pelos meus pecados”.
Então, antes de culpar o mundo, perceba:
O “MUNDO” pode ser o que ele quiser ser, e você não tem nada a ver com isso, é escolha dele, e a escolha dele não te impede de ser o que quiser ser, se você souber quem você é, ou o que quer ser ou o que quer para você, no mínimo.

Busque consciência de si mesmo – Nossa essência nos acusa no inconsciente. Olhe em si próprio, busque conhecimento e sabedoria para ser livre de verdade.”

- Texto retirado do livro “Menino estranho; A Auto Analise”, de Alexandre Vieira (em breve, publicado).

*Não redigi esse artigo com intuito de dizer sobre o que é certo ou erra ou errado. Apenas escrevi para compartilhar uma visão.

** A sensação de corrupção, enjoo, e menosprezo por nos mesmo ou pela sociedade, e a repulsa que sentimos por vezes, não nos é esclarecido no consciente, mas são coisas que para nossa essência, para a essência do nosso caráter, sempre foi ciente, e são inconscientes para nós; São coisas de caráter – de um bom caráter.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Nunca foi assim.

Então aquele menino disse para mim:
- Nunca foi assim, cara! Será que você não enxerga!? Você pode ser inteligente, mas é como todos, e eu estou incluso... Você não enxerga a metade, por mais que os exemplos sejam dados.
Nunca foi assim! Nós não colhemos o que plantamos! Não assim tão Simples como a frase parece, mas é preciso ser forte para entender e continuar fazendo o que é correto.
Não há recompensa para suas boas ações, não assim como pensa, como diz, como é fácil acreditar. É preciso ter caráter para fazer o que é correto sem se apegar a qualquer promessa. Sem receber nada em troca, pois essa é a verdade. Você pode não receber nada, absolutamente nada do que plantou.

Veja bem, do fruto que Eva comeu, não foi ela quem plantou.
Do fruto que Adão comeu, não foi ele quem plantou.
Dos frutos do mundo que comemos todos os dias, quem plantou?
Do fruto que eu como... Entende?

Você sempre planta para alguém, e colhe o que alguém plantou. Você simplesmente recebe isso assim, e não há como escolher, amigo. O máximo que pode fazer é negar.

Eu sempre achei que não era o culpado, mas pago pelo pecado.
Eu não me lembro de ter começado isso, mas estou aqui e faço parte. Você entende?

Funciona na mesma lógica, mas não tão simples. Você pode fazer nada e colher algo bom para você. – O mundo está cheio disso.
Você pode dar o seu melhor e não receber nada.  – Isto é, se não te valer a satisfação.

Mas com eu disse, funciona na mesma lógica, só menos simples.
Das sementes que você planta, elas vão germinar. Se as sementes forem boas, boas sementes dali também sairão, e é mais fácil para plantarem algo bom com sementes boas, mas não de volta para você, entende? São outras pessoas que vão pegar suas sementes boas. As suas nunca irão retornar.
Você não tem como prever o que farão com as sementes que seu fruto dá, amigo. Mesmo que elas sejam boas, você não sabe o que eles vão plantar, ou o que eles farão com elas.

O mesmo funciona para as sementes más...
No fim de tudo, só nos resta a satisfação de fazer um bom trabalho, de ter feito nossa parte. E não esperar nada em troca por isso.
As pessoas, mesmo as boas, não enxergam muita coisa, amigo. Assim como eu e você.

Você não pode colher o que você plantar. O que você pode fazer é tentar germinar mais sementes boas, e esperar que um dia talvez, boas sementes cheguem para você, mas fique ciente, essas sementes boas podem nunca chegar para você... Não tão simples, mas na mesma lógica. Nada foi prometido para você.

Alexandre Vieira.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Origem

" Não fique triste quando ninguém notar o que fez de bom
Afinal...
O sol faz um enorme espetaculo ao nascer, e mesmo assim, a maioria de nós continua dormindo"
- Charlie Chaplin.
 - Pensar assim, ameniza. mas não resolve. Pois sempre que fizer por alguém, correrá esse risco. Se fizer por si, quem precisa ver é você, e você verá.

E o sol não fica triste, é da natureza dele aquecer, é o caráter dele. E ele fica satisfeito por ver o que faz, por saber o seu valor, por saber quem é, mesmo olhando os inocentes humanos, que não sentem sua importância, que não vêem o que faz por nós, que não o percebem, todas as manhãs, nos renovando e alimentando com sua luz. Pois ele é assim, e não se importa em não ser notado, se sente bem por ver o que faz, ser consciente nisso. E é por isso que todos os dias ele está ali, e essa é sua motivação, sua satisfação, em apenas contemplar toda a melhora que tem feito.

E todos os dias, sem que perceba, alguém olha para cima, e é sempre alguém diferente, que, às vezes, apenas um dia ou dois na vida, senti seu calor, sentido-o, e o olha consciente de sua grandeza. E ele sorri, todos os dias, só por saber que faz bem, e é bom. E todas as tardes, antes de ir, e ir aquecer outro canto do mundo, ele olha para a lua, e ela o olha, e assente, e o sorri de volta.


- Coisa de caráter.