“Coincidentemente, era essa a pergunta que estava mais em
evidência na mídia àquela semana; Nas redes sociais e nos programas de humor
torpes.
Eram as mesmas coisas que eu via nos bares e, sem perceber,
comparava igualmente.
Notei depois que faltava algo:
Personalidade, educação, escrúpulo, senso, inteligência... –
essas coisas sequer eram lembradas. Não existiam na balança.
Um bonito pobre ou um feio rico? – A comparação era essa, e
apenas essa.
O fato da “pesquisa” ser feita e colocar as mulheres nessa
frente como interesseiras ‘comprovadamente’, é só um detalhe cultural da nossa
sociedade que nos acostumou a olhar para o sexo como um divisor que não é. –
Masculino e feminino: culturalmente nos portamos de maneira diferente frente à
sociedade, mas queremos igual, desejamos igual, escolhemos igual e somos muito
mais idênticos do que fomos ensinados que somos – Somos humanos.
A pesquisa serve para homens da mesma forma. A mesma troca
será feita, a mesma decisão será tomada. Mas o ponto que batia na minha cabeça,
contudo, é que tudo o que pesava na balança estava diante dos olhos: Era
material e físico. – Beleza e riqueza... Potencial de status.
Lembrei do dia que aquele cara me parou na rua. Queria saber
se eu não queria um dinheiro extra, fácil. – Tipo, cem, duzentos reais – antes
ele veio com toda aquela conversa estranha, perguntando muitas coisas e falando
muitas coisas também. Ostentando bens.
Pois bem, não era a primeira vez que isso acontecia, ele
queria saber se eu não teria relações com ele em troca daquele dinheiro (e muito
mais que ele poderia me oferecer por fora).
- 200,00 para uma
rapidinha, com a noitada paga, é um sacrifício valido? Você ainda pode ganhar
alguns presentes, e toda vez que eu te chamar, é mais 200,00. Você pode até
gostar. Parece um bom negocio? Não é nada de mais. – De repente ele foi bem direto.
Foi fácil eu me decidir. Mas se eu fosse gay... Ou, melhor
ainda, se fosse uma mulher... Parece um bom negocio? – Eu pensava.
Agora, substitua o dinheiro da mulher por beleza. Parece um
bom negocio? – Aquele pensamento me intrigava; Porque, naquela hora, me pareceu
um bom negocio, sem qualquer maldade.
Então, agora, tente entender a frustração e o desolamento, o
gosto amargo na boca e a dor de uma pessoa que descobre que quem ela ama, se
“prostitui”. – Isso mesmo. Se vende.
Pois bem, é a mesma dor que subjetivamente sentimos, a mesma
frustração e decepção que sentimos quando olhamos para o mundo e o mundo sente
quando olha para nós; E sem entender conscientemente, nos perguntamos, por que
o mundo é assim?
Não quero dizer, com tudo isso, que as pessoas não são livres
para se vender, tão pouco quero dizer que sou melhor que outros e não me venda
também. O ponto não é esse.
Toda gente é ‘livre’ para fazer o que quiser, mas você é
realmente livre, sabe onde leva a estrada por onde tem andado, é consciente dos
teus passos?
- Nós só somos livres de verdade para ser e fazer o que
quisermos quando somos conscientes disso. - Mas somos tão influenciáveis por
uma ideia de liberdade tão distorcida e sem conceito. – Pensei.
Preste a atenção – eu disse a mim mesmo em pensamento:
Não somos nós, as “pessoas decentes”, que olhamos a
prostituição por dinheiro como algo promiscuo e repulsivo e, ao mesmo tempo,
não somos nós, as pessoas decentes que vendem seus sentimentos e se prostituem
por beleza; Status?
Quando olhar para a sociedade e se sentir enjoado,
deprimido, pense se você não está realmente no bolo das maças podres, no
universo das pessoas repulsivas que você julga sem caráter e integridade por se
venderem.
A chave de tudo, e
dessa falsa liberdade, é que às vezes somos vitimas culposas de nós mesmo – nos
matamos sem a intenção de matar, mas com imensa responsabilidade, e culpa. E a
maioria da sociedade é assim, dando passos para o abismo enquanto ri de alguma
piada que logo vai perder a graça quando avistar o precipício e o amargo tomar
conta da boca.
A essência de algumas pessoas clama por justiça – Grita; E é
essa sensação de repulsa que toma nossos olhos. – Então olhamos para a
sociedade como se fosse toda podre e contaminada, como se as pessoas – que não
somos nós – fossem as culpadas por todo esse desastre, sendo elas tão maleáveis
e “promiscuas”, por não darem valor ao intelecto, aos sentimentos, a
integridade, e etc – as qualidades intelectuais que nós temos, mas... Preste
atenção, mais uma vez:
Nós somos produtos com qualidade como acessórios, que são
oferecidos a outros produtos como nós, produzidos com acessórios para atender a
demanda, a necessidade de outros indivíduos – E são eles nós mesmo.
Deixamos de desenvolver a inteligência, o senso, a opinião
própria, a integridade, a moralidade... Deixamos de desenvolver o que não nos é
exigido; Não há demanda, ou há pouca demanda, e desenvolvemos o que nos é
exigido, como bens, beleza, aparente sucesso financeiro e etc.
Não vale culpar os órgãos e instituições por isso, não vale
buscar culpados fora de nós ao dizer que a sociedade – QUE SOMOS NÓS – e os
próprios órgãos e instituições (como escolas e igrejas) pregam,
ideologicamente, prosperidade e sucesso como um acumulado de bens materiais,
riquezas, e uma imagem bonita, bem vestida, bem pintada com adornos e toda
sorte de ferro retorcido. Não vale culpar a sociedade, ou os pais desses seres
estranhos que caminham entre nós que não aprenderam nada e não têm apreço pela
verdadeira bem aventurança e prosperidade que é o desenvolvimento de um caráter
incorruptível, de fibra, o desenvolvimento da sabedoria e do senso, da
integridade intelectual e moral.
O que é ser bem sucedido, hoje, para a sociedade? – Eu me perguntei.
Ser bem sucedido é ter
uma casa, um carro, um emprego, boas roupas e variedade das mesmas.
Ser sábio,
inteligente, integro, uma pessoa de caráter, consciente, sem ter as coisas ditas anteriormente, é ser
fracassado.
Ser bem sucedido na consciência do mundo é ter, não ser.
Seja lá o que você for, se o que você for não atender o que
a demanda pede, então você é inútil – Obsoleto e fracassado. Por melhor ou pior
que seja, o que determina se você será bem sucedido ou fracassado é o que você
“é/tem” quanto o que a demanda exige.
Nós fazemos parte das instituições, dos órgãos, da
sociedade, e estamos no cesto junto com todas as outras maças podres. Um grande
passo “seria” não se deixar contaminar, mas você pode fazer isso quando não
sabe diferenciar tão bem uma maça podre de uma maça boa? Quando tantas maças
estragadas têm um aspecto tão natural. Ou quando, por vezes, somos nós mesmos,
as maças estragadas, contaminando outras sem saber; Por uma ação, gesto ou
comentário preconceituoso. Ou mesmo uma discriminação inconsciente das coisas
que passamos adiante.
Não vale buscar culpados porque nós somos essa sociedade de
comportamento estranho que não lembra valor e moral (e alguns vão achar que
sabem o que é moral, e pensarão nisso como ideias obsoletas do tempo da minha
avó). Mas a questão de tudo é que, com tudo, nós somos livres – ou deveríamos
ser – para sermos saudáveis ou estragados, como desejarmos e tivermos vontade.
Eu posso ser interesseiro e promiscuo se eu tiver vontade, e
ninguém tem a ver com isso – É escolha minha, e está acabado. Eu posso ser o que
eu quiser, “sou eu quem vai pagar pelos meus pecados”.
Então, antes de culpar o mundo, perceba:
O “MUNDO” pode ser o que ele quiser ser, e você não tem nada a ver com isso, é escolha dele, e a escolha dele não te impede de ser o que
quiser ser, se você souber quem você é, ou o que quer ser ou o que quer para
você, no mínimo.
Busque consciência de si mesmo – Nossa essência nos acusa no
inconsciente. Olhe em si próprio, busque conhecimento e sabedoria para ser livre
de verdade.”
- Texto retirado do livro “Menino estranho; A Auto Analise”,
de Alexandre Vieira (em breve, publicado).
*Não redigi esse artigo com intuito de dizer sobre o que é
certo ou erra ou errado. Apenas escrevi para compartilhar uma visão.
** A sensação de corrupção, enjoo, e menosprezo por nos
mesmo ou pela sociedade, e a repulsa que sentimos por vezes, não nos é
esclarecido no consciente, mas são coisas que para nossa essência, para a
essência do nosso caráter, sempre foi ciente, e são inconscientes para nós; São
coisas de caráter – de um bom caráter.
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