Coisa de caráter

Caráter (latim character, -eris, sinal, marca) s. m.
1. O que faz com que os entes se distingam entre os outros da sua espécie. 2. Marca, cunho, impressão. 3. Propriedade. 4. Qualidade distintiva. 5. Índole, gênio.

* Não se trata de dizer sobre bem ou mau. Bom ou mal, talvez. - É caráter (simplesmente o que distingue) , e talvez um pouco de ética - Mas a sua ética, a minha ética, a ética baseada no caráter. E nós, nós somos diferentes, e temos caráteres diferentes. Importante? Importante é ter caráter, saber que tem, ser consciente nisso.

Aqui também, o caráter com relação à Essência.

Essência.
1. O que constitui o ser e a natureza das coisas. 2. Qualidade predominante. 3. O que há de mais puro e sutil. 4. Caráter distintivo (da natureza). 5. Ideia principal.

* Mais uma vez, não se trata de dizer sobre bem ou mau. Bom ou mal, talvez. - É essência (simplesmente o que é de natureza).
E nós, nós somos diferentes, Essencialmente diferentes. Importante? Importante é saber disso, ser consciente disso.

** A definição das palavras "Caráter" e "Essência" é essa, tal como está. As demais definições que foram ocultas não se encaixam no modelo da ideia e por essa razão foram retiradas.
As definições que importam são as definições acima, e apenas essas.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Um Professor feliz


Ele entrou na sala, sorrindo, ainda comendo o café da manhã: Duas rosquinhas.
Descobriu, então, que aquele garoto não fez o dever. Disse: “Faça, e traga amanhã; E também quero duas coisas a mais: Quero que sua mãe faça uma redação de vinte linhas sobre a importância do estudo e do ambiente escolar na vida de uma criança” – Depois comeu o último pedaço da rosquinha e lambeu os dedos. “E, segundo, durante uma semana ela vai ter que rubricar o seu dever e falar o que ela quiser sobre ele”.

No dia seguinte ele entrou na sala com três rosquinhas e um copo de suco.
- Onde está aquele garoto?
- Não veio, professor.
- Melhor assim. – Então, ele encheu o quadro de dever.

No terceiro dia a mãe do garoto veio à escola para ver o porquê devia ficar de castigo por seu filho, ou junto com ele. Estava o esperando com os braços cruzados batendo o pé em frente à porta da sala e todos nós estávamos esperando para ver o que ia acontecer – Estava na hora de alguém dar uma lição naquele professor chato.
Ele puxou um livreto pequeno, e disse: “A responsabilidade é tua, ou, então, entregue para adoção”, olhou para o garoto e perguntou “Você quer ir para a adoção?”, o menino disse “não”. “Se sua mãe não for capaz de cuidar de você, é isso que vai acontecer”, ele completou para o garoto, e disse a mãe: “Enquanto você não trouxer, ele não pode assistir aula. Se ele faltar demais vou ter que acionar o conselho tutelar”.

No quarto dia eles sabiam que ela viria, mas veio tio, pai, tia, avó e avô. E a diretora estava esperando com os braços cruzados, batendo o pé, e, então, falou: “Podem parar, vocês não vão incomodar o professor. O que ele disse, é mesmo o que ele falou. Podem se retirar, todos, a não ser que estejam com a redação”.



Alexandre Vieira

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dia de vencer

"Papodebêbadocomviciado"

"Amanheceu mais uma vez, é hora de acordar para vencer"...
- Vencer o quê, Jaom? Vencer quem? Tá maluco? Deixa eu dormir.
"Vamos meu camarada, acorda. Hora de levantar pra batalha. A vida não espera".
- Que batalha, Jaom? Tá doido, tá achando que tá na guerra? É samurai agora? Me deixa dormir. É claro que a vida espera. Quem não espera é o tempo. Cê tá se confundindo.
"Tô nada. É a vida, meu irmão! A vida é uma batalha; o mundo lá fora. Enquanto você dorme as pessoas estão correndo, estão saindo na sua frente".
- Cê tá fumando demais. Quem é que precisa chegar na frente, Jaom? Quem é que quer isso? E perder a paisagem? Eu só quero chegar, e se não chegar... aqui estou eu.
"Você que tá parecendo brisado, mano. Levanta ai e... Vambora matar uns leão"
- E quem é o leão, Jaom?
"Sei lá, mano. Qualquer coisa que te afaste do seu objetivo, qualquer coisa que te atrapalhe vencer na vida, os outros... Sei lá, pode ser qualquer coisa".
- O problema é esse. Ninguém sabe quem é o leão. Quando você souber responder, vem me acordar, aí eu levanto. Eu conhecia a expressão "Amigo imaginário", mas "inimigo imaginário" eu conhecia não. Procura um médico, véio. Vai se tratar.
"Vai levantar mesmo não, né? Tá bom".
...
"Amanheceu mais uma vez, é hora de acordar para vencer"...
- Vencer o quê, Jaom? Vencer quem?
"Ah, hoje vai levantar, né?"
- Éé.. Mas não pra vencer. Só pra ajudar alguém.
"Ajudar quem? No quê?"
- Sei lá, mano. Qualquer coisa que te afaste do seu objetivo, qualquer coisa que te atrapalhe vencer na vida, os outros... Sei lá, pode ser qualquer coisa. Eu vou ajudar qualquer uma a chegar... Apenas chegar.
"Ixi... Já acorda brisado agora?"
- Né não, Jaom. Quando tu sai pra bater no mundo, o mundo bate em você. E te falar a real, é desigual. Cê da um tapa, leva cem. Tu fecha a cara (que é só uma, e é só a sua), tu recebe de volta varias porta fechada, tá ligado? Várias cara se fechando pra você. Vale a pena não.
"Qual foi, mané? Tá falando o quê? Qué dize o que con isso? Sou um cara maneiro pá caralho. Mó respeito e consideração con todo mundo aí. Tô entendendo teu lance não. Que droga é essa ai?".
- Haha. É a droga da consciência. Bate forte quando vem na mente. E é essa parada de briga aí, cara. Isso leva ninguém a nada não. Achar que o mundo é uma guerra, campo de batalha, fingir que é competição. Sozinho tu guenta não; E se tu acha que só porque colou com aquela mina lá, não precisa de mais ninguém, cê tá ferrado. Seguir sua vida, focado em crescer, crescer, prosperar, vencer e os caráio só te leva a fechar o olho, passar passando, seguir seguindo, tudo batido.
"Tô entendendo a tua não, véio. É só maneira de falar, tu tá ligado, né? Tá viajando aí"
- Isso é o que tu pensa, Jaom, isso é o que tu pensa. Quem quer vencer não pode parar, tá ligado? Parar pra sorrir, parar pra chorar, parar pra ajudar, parar pra olhar, parar pra entender, parar pra sentir, parar pra pensar, pra dormir, relaxar. Quem quer vencer não pode parar, irmão. Porque se parar alguém chega antes de você, tá ligado. Você não entende, mas... tua mente já cansou de entender. É assim que é.
"Tô entendendo nada, véio".
- Foi o que eu acabei de dizer. Cê pode não perceber, mas toda vez que você sai pra brigar, enfrentar o mundo, o mundo enfrenta você, briga com você, Jaom. É como tacar pedra na água, irmão. Taca não. Se tu vai entrar na água, não taca. É uma pedra, duas, três, e antes de você perceber já tem onda batendo em você.
"Véio...Tú tá doidão".
- Então, tá bom.
...
"Tá. Acaba esse pão aí e me diz: Vai ajudar quem hoje? No quê? Tu levantou pra quê hoje? Atravessar uma velhinha no sinal e se atrasar pro serviço?"
- Pra ajudar alguém.
"Tá bom; Mas quem? Como?"
- Todo mundo. Só esperar a oportunidade aparecer.
"Que oportunidade, véio? Esperar um cego atravessar a rua? Vai dá teu dinheiro pros mendigos tudo? Distribuir? Dividir com os pobres?"
- To falando de sorrir pra uma cara fechada, manter aquele garoto lá, do vinte e um, na escola, tá ligado? Dá um bom dia animado, desejando mesmo; Dizer obrigado; Dá a vez. Ajudar se alguém tiver carregando alguma coisa pesada. Essas paradas. Ferrar ninguém, deixar de malandragem. 
"Tá bom, você é o bom samaritano agora, mas.. Como é que vai manter o do vinte e um na escola?"
- Só vou perguntar como é que estão as nota dele lá. Eu sei que o maluco se esforça, mas ninguém dá bola. Ele só precisa de alguém que se importa. Agora, quem vai manter ele na escola? ... É ele mesmo.
"E tu espera o quê, que o mundo vai virar flores por causa disso? Vão te elogiar e fazer um livro pra você? Que todo mundo vai te seguir, que tu vai ser exemplo? Ninguém vai olhar pra isso não velho, e esse é o problema, o mundo não vai mudar por causa disso; Todo mundo é egoísta nessa porra. Vão receber e vão dar nada pra você, véio. Quando tu se cansar, me avisa".
- O mundo não é egoísta, não, Jaom. Você que é. Sabe o significado de egoísmo? Você pode não perceber, mas o problema do qual você fala ali, tipo, "E esse é o problema", é o tempo. Tipo "demora muito tempo para as coisas mudarem, para alguém ver, notar, perceber, e os caráio” – e nem é tanto tempo assim; Você é quem não pode esperar pra ver. E isso não é problema pra quem quer chegar, é problema pra você que quer vencer. Quem quer vencer que não pode parar. Quem só quer chegar tem todo tempo do mundo pra viver, ver, ouvir e aprender. Pode demorar, eu ligo não.   


Alexandre Vieira

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O dinheiro traz felicidade?

Engana-se quem responde que sim, e se engana na mesma razão quem responde que não. Qualquer um que responda a essa pergunta em sua forma simples, está errado.
Uma caneta não pode te deixar feliz, mas poder usá-la para escrever pode te deixar bem animado – E há uma diferença fundamental nisso que não é notada -, e não tê-la em certas ocasiões pode ser um infortúnio muito grande. Então: Uma caneta traz felicidade?
O dinheiro é tão importante para nós, para nos proporcionar situações, ocasiões, coisas, sensações e etc, quanto uma pessoa pode ser para nos proporcionar sentimentos.
A pergunta mal formulada é a ruína de tudo, é base de toda a incoerência, e só tende a nos trazer respostas obscuras, turvas, confusas, incongruentes como a pergunta.
É, de certo, que o dinheiro pode trazer felicidade, tanto quanto pode não trazê-la - O caso é o que você faz com a caneta quando a tem, como, e em quê, gasta sua tinta.
Mudando a pergunta: O dinheiro é o mais importante?
Não posso responder isto por você, mas... Se você responde que o dinheiro traz felicidade, as pessoas tentem a achar que você pensa que uma caneta é a coisa mais importante que existe no mundo. Entende? E você também pode ligar uma coisa na outra e, inconscientemente, tratar dessa forma, como se o dinheiro fosse o mais importante por poder trazer as coisas mais importantes até você.
- Tá. Então o dinheiro não é importante? – Ou – É importante?
– Você está maluco! Me dá todo seu dinheiro e vai ser feliz. – Ou – Tá bom, tanta gente ai com dinheiro, e infeliz.
Quando as coisas, as situações, as ocasiões, as sensações, e tudo o que o dinheiro pode dar são mais importantes que ele, então nós não temos uma gana, e naturalmente o gastamos na mesma razão em que nos poupamos de gastar, e deixamos de buscá-lo quando já temos o que queríamos (o importante), e o trocamos facilmente pelas coisas que ele proporciona (não necessariamente o desvalorizando de seu papel e sua importância em si, mas, mesmo sem notar, deixando de dar importância a ele se comparar com a importância que ele têm para outros). Fundamentalmente, quando o dinheiro não é mais importante que as coisas que ele proporciona, nós buscamos o suficiente, apenas o suficiente para o que desejamos, e não por ele, não para tê-lo, mas às coisas.
Quando o dinheiro é a felicidade e, quando essa ideia existe dentro de si, enganosamente se torna mais importante que as coisas que ele pode proporcionar (mesmo sem que você perceba), tê-lo é o bastante na mesma razão em que não basta apenas tê-lo e sempre é preciso ter mais dele. Essa cadeia de importância (muitas vezes inconsciente) nos faz trocar facilmente o que ele pode proporcionar (que menos importante que ele próprio) - como as ocasiões, as sensação, as coisas - por um pouco mais dele, ou a possibilidade de um pouco mais dele. Como trocar ocasiões em família, amigos, deixando de comprar algo necessário, visar um relacionamento lucrativo financeiramente, e etc).  
Em outro campo comparativo, tão inconsciente quanto, é como uma pessoa: Quando ela é importante, as sensações que ela proporciona, e os sentimentos que ela deserta em si, ficam ofuscados pela gana de tê-la. Então, por vezes, nós nos enganamos, nós mentimos para nós mesmos, e nos achamos felizes por tê-la ali, por estarmos com ela e, a todo custo, tentamos mantê-la. Não importa o quão bom, o bom, o ruim, o muito ruim, o morno que seja essa relação com ela, quando o importante é tê-la, ficamos aprisionados à ideia de tê-la ali, de não deixá-la, porque tê-la ali é o que traz felicidade, e não tê-la é igual a ser infeliz – Quando não passa de um “pode trazer felicidade”, uma possibilidade, e não se é necessariamente infeliz sem ela.
Quando o sentimento e as sensações que uma pessoa pode proporcionar são as coisas mais importantes, nós as buscamos apenas o suficiente para consegui-los, nada mais. E podemos facilmente descartar as pessoas quando elas não são satisfatórias, ou deixar de buscá-las mais, ou a outras, quando estamos satisfeitos.
Uma pergunta mal formulada é necessariamente injusta para com seu receptor – Porque eu vos pergunto de novo:
- O dinheiro traz felicidade?

- Não. Mas pode trazer.
E toda vez que for fazer essa pergunta, ou respondê-la, cuidado. Essa pergunta não é o que aparenta ser, então sua resposta também não será.

- Coisa de Caráter, Alexandre Vieira.