Ele entrou na sala, sorrindo, ainda comendo o café da manhã:
Duas rosquinhas.
Descobriu, então, que aquele garoto não fez o dever. Disse: “Faça,
e traga amanhã; E também quero duas coisas a mais: Quero que sua mãe faça uma
redação de vinte linhas sobre a importância do estudo e do ambiente escolar na
vida de uma criança” – Depois comeu o último pedaço da rosquinha e lambeu os
dedos. “E, segundo, durante uma semana ela vai ter que rubricar o seu dever e
falar o que ela quiser sobre ele”.
No dia seguinte ele entrou na sala com três rosquinhas e um
copo de suco.
- Onde está aquele garoto?
- Não veio, professor.
- Melhor assim. – Então, ele encheu o quadro de dever.
No terceiro dia a mãe do garoto veio à escola para ver o porquê
devia ficar de castigo por seu filho, ou junto com ele. Estava o esperando com
os braços cruzados batendo o pé em frente à porta da sala e todos nós estávamos
esperando para ver o que ia acontecer – Estava na hora de alguém dar uma lição
naquele professor chato.
Ele puxou um livreto pequeno, e disse: “A responsabilidade é tua, ou, então, entregue para adoção”, olhou para o garoto e perguntou “Você quer
ir para a adoção?”, o menino disse “não”. “Se sua mãe não for capaz de cuidar
de você, é isso que vai acontecer”, ele completou para o garoto, e disse a mãe:
“Enquanto você não trouxer, ele não pode assistir aula. Se ele faltar demais
vou ter que acionar o conselho tutelar”.
No quarto dia eles sabiam que ela viria, mas veio tio, pai,
tia, avó e avô. E a diretora estava esperando com os braços cruzados, batendo o
pé, e, então, falou: “Podem parar, vocês não vão incomodar o professor. O que ele
disse, é mesmo o que ele falou. Podem se retirar, todos, a não ser que estejam
com a redação”.
Alexandre Vieira
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